Quando tentei iniciar esse artigo, abruptamente, uma sensação de apreensão acampou na antessala de minha mente. Afinal, relutava em perceber como meu combalido repertório de adjetivos e predicados evidenciava sua escassez. A ideia era descrever uma árvore, estou falando da sequoia gigante, que é encontrada no hemisfério norte. Acredito que chamar de árvore essa espécie, não é justo, talvez até uma ofensa.

Na verdade, ela é uma embaixadora da plenitude celestial na terra, um monumento da natureza, quiçá do universo. Algumas chegam à marca impressionante de mais de 100 metros de altura, sua longevidade permite atingir milhares de anos. Nesse ínterim, pensei se uma delas tivesse a cabeça do ser humano , com direito a todas suas crenças e limitações.

Com certeza, no máximo, atingiria a altura máxima de 3 metros, sem falar que não viveria mais do que alguns míseros anos.

O ser humano tem a habilidade de ter orgulho de suas limitações. Algumas pessoas costumam propagandear suas supostas incapacidades, como se isso fosse sinônimo de modéstia. A confusão é terrível. A modéstia é você não precisar falar dos seus feitos, tal como sequoia que convive na floresta com o inseto mais diminuto.

Portanto, declarar-se um incapaz e enumerar o que não consegue ou ainda não faz bem é uma forma de vitimizar-se. Se você tem orgulho de suas limitações precisa, urgentemente, de ajuda.

Naquela conversa com essa pessoa. Ele lhe diz assim:

– Cheguei no meu limite!
– Isso não é pra mim!
– Não nasci para isso!
– Desculpa qualquer coisa!
– Não sei fazer!
– Quem me dera!
– Coitado de mim!

A verdade é que somos excelentes em divulgar nossas mazelas, por vezes, temos a necessidade de criarmos uma imagem de vítimas. Isto é, não é porque somos modestos, mas, sim, covardes. A ideia inconsciente de manter essa imagem é para que você não tenha que chamar a responsabilidade da ação para sua vida. Quando você confessa seu fracasso e suas limitações de antemão, cria uma atmosfera antecipatória para seu fracasso. Algumas pessoas dão desculpas para a falta de realização e, com isso dizem:

-Não te falei!
-Eu sabia!
-Não tem jeito mesmo !
-Sou um fracasso.

Deste modo, algumas pessoas chegam até mim e dizem:
Não aguento mais!
Nesse instante, digo para a pessoa que, agora, é que ela vai conseguir. E, não demora muito ela passa a dizer o seguinte:

– Nem sei como consegui fazer!

A verdade é que o mesmo pensamento que nos diferencia do animal, faz também nos aprisionar em crenças debilitantes. O que você acredita não conseguir não é uma realidade, ou seja, sua mente apenas tem suposições acerca do limite de suas realizações.

Você deve estar se perguntando:

– Mas o que tenho a ver com a sequoia gigante?

A sequoia e você são parte da parentela cósmica. Existe um lastro de vocação para a superação, em ambos, logo não necessitam de ter orgulho de suas faltas, imperfeições e limitações.
Por último, resta serem monumentos vivos no santuário, chamado planeta terra.

Marcos Bersam
Psicólogo

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