Eu sempre falo nas minhas consultas como Psicólogo, se na semente de uma árvore tivesse a mente humana, talvez não conheceriamos as florestas. Não seria difícil imaginar que a árvore mais imponente não acreditaria que poderia esbarrar nas portas do céu.

Algumas ficariam se comparando, impotentes e com medo de crescer. O maior inimigo da nossa evolução são a natureza dos nossos pensamentos. A semente não tem dúvida de sua vocação, mas o homem vive acampado na dúvida do seu potencial.

Quando você pensa “eu não vou dar conta”: o verdadeiro motor da ansiedade se instala e a incerteza gera uma profecia.

Tem uma frase que escuto com frequência no consultório, às vezes dita quase em sussurro, como se fosse uma confissão:
Eu me sinto tão impotente.”

E, na maioria das vezes, a pessoa acredita que esse sentimento veio do nada. Como se fosse um defeito interno. Como se fosse fraqueza. Tenho que dizer que  não é.
A ansiedade raramente nasce só do que está acontecendo fora. Ela cresce, principalmente, da forma como você interpreta o que está acontecendo — e, mais ainda, da forma como você se vê diante disso.

Aquilo que você chama realidade, eu chamo de interpretação. Ou seja, sempre falo com meus pacientes, você não sofre pela coisa em si, mas pela ideia do que a coisa deveria ser.

A conta invisível que sua mente faz
Existe uma espécie de “cálculo automático” que acontece dentro de você, sem que você perceba.Ele funciona mais ou menos assim:
Isso é perigoso”
“Eu não vou conseguir lidar com isso”

Quando essas duas ideias se encontram, a ansiedade dispara.E o mais curioso?
Nem sempre o perigo é tão grande quanto parece — e, quase sempre, sua capacidade é muito maior do que você imagina.

Quando eu era criança, na minha cidade, juiz de fora, havia e ainda há um Museo com um lago enorme, minha mãe sempre me falava que era fundo, na minha imaginação foi o suficiente para eu colocar aí, os mais terríveis monstros, e ali eles foram crescendo no meio das minhas fantasias. Os anos se passaram, já adulto, um dia o lago foi esvaziado para manutenção. Sabe a profundidade? 50 cm, isso mesmo. Na verdade era uma lâmina de água.

Mas, no momento da ansiedade, essa percepção fica distorcida.
Você superestima o problema, incrementa os medose subestima completamente a si mesmo.

No entanto, você pensa: “Mas eu sinto no corpo, então deve ser real”Essa é outra coisa importante.A ansiedade não é só um pensamento.
Ela se torna física.
O coração acelera.
A respiração muda.
O corpo entra em alerta.

E aí vem a armadilha:você usa o que está sentindo no corpo como prova de que algo está realmente errado.

“Se eu estou me sentindo assim, é porque não vou dar conta.”Só que não.
O corpo não está confirmando a realidade — ele está reagindo ao pensamento.
E quanto mais você acredita nesse pensamento, mais o corpo responde.
E quanto mais o corpo responde, mais você acredita.E assim o ciclo se fecha.
O ponto cego da ansiedade
A maioria das pessoas que sofrem com ansiedade não percebe um detalhe fundamental:
Elas não estão apenas com medo do que pode acontecer. Sempre nas consultas Online ou Presencial de psicologia, o ansioso é um prisioneiro do futuro algemado na dúvida.

Sendo assim, elas estão com medo de não suportar o que pode acontecer.
Isso muda tudo.
Porque o foco deixa de ser o mundoe passa a ser a relação que você tem consigo mesmo. Na verdade você não enxerga a realidade, vê apenas os seus pensamentos do lado exterior.

A ideia de impotência
Quando você começa a observar seus pensamentos com mais atenção, uma coisa aparece com frequência:
“Eu não vou conseguir”
“Eu não sei o que fazer”
“Eu não sou capaz de lidar com isso”
Esses pensamentos não chegam gritando.
Eles chegam como verdades silenciosas.
E, quando você acredita neles, seu comportamento muda:
Você evita.
Você adia.
Você foge.
Ou trava.
E, sem perceber, cada vez que você evita, você reforça a ideia de que realmente não daria conta.O que quase ninguém te conta
Você não precisa eliminar a ansiedade para começar a lidar melhor com ela.Mas você precisa começar a questionar duas coisas:
*Esse perigo é tão grande quanto parece?
*Eu realmente não tenho recursos para lidar com isso?
Não é sobre virar alguém “sem medo”.
É sobre parar de se ver como alguém incapaz.
Um exercício simples (e poderoso) que quero compartilhar com você que está lendo esse artigo de psicologia.
Da próxima vez que você se sentir ansioso, em vez de tentar se acalmar imediatamente, faça uma pausa e se pergunte:
O que exatamente estou achando que vai acontecer?
E o que estou assumindo sobre mim mesmo nessa situação?
Essa segunda pergunta costuma revelar tudo.Porque, no fundo, a ansiedade quase sempre carrega uma crença escondida:
“Eu não vou conseguir.”
E se você conseguisse?
Talvez você não controle tudo o que acontece.Talvez situações difíceis continuem existindo.
Mas existe uma mudança silenciosa — e extremamente poderosa — que começa a reduzir a ansiedade:
Parar de se ver como alguém impotente.
Porque, muitas vezes, o problema não é o tamanho do desafio.É o tamanho da dúvida que você tem sobre si mesmo.E essa dúvida, essa sim, pode ser trabalhada.

Finalmente, nenhuma semente faz curso para tornar -se uma árvore, não há dúvida, receio ou medo, logo a vida não premia os mais preparados, mas os mais convictos.

Marcos Bersam

Psicólogo Online e Presencial

 

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