Como é difícil fazer uma pessoa voltar a degustar de sua própria companhia, muita dizem para mim:
-Nem sei por onde começar!
-Sair sozinha? Nem pensar!
Depois de um rompimento amoroso sempre aparece alguém para propor uma viagem, quando não apresentar algum partido. Nenhuma dessas alternativas, por mais bem intencionadas que sejam funcionam.
Sendo assim, conselhos bem intencionados não são suficientes, por isso de forma efetiva a dica mais eficaz:
-Aprenda a ter prazer com sua própria companhia.
Tem gente que nunca tentou, por isso que diz apressadamente que não consegue. Sempre sugiro o seguinte:
Imagina que você receberá a visita ilustre de um amigo na sua casa, como você vai recebê-lo? Agora, troque seu amigo por você mesmo.
Quando passamos por um rompimento amoroso, surge um momento, que é silencioso.Não é o choro alto, nem a dor explícita, mas é um vazio que fica.
E é justamente aí que muita gente se apressa em preencher.
Com outra pessoa.
Com compras, comida, drogas ou jogos.
Ou seja, qualquer coisa que impeça o encontro consigo mesmo.
Entretanto, existe algo que eu vejo com muita frequência nos atendimentos que faço: Indivíduos que ainda não aprenderam a estar em paz com a própria companhia.
E eu entendo. De verdade.
Só que existe uma virada importante que muda tudo —quando você começa, aos poucos, a se escolher.
O singelo pode ser o ponto chave de resgatar sua autoestima, tal como coisas simples, miúdas e pequenas mesmo.
Por exemplo, Tomar um café numa padaria tranquila, sem pressa, sem celular, só sentindo o momento.Transformar o banho em um ritual — não apenas um hábito automático. Acender um incenso, deixar a água cair devagar, respirar.Escolher um filme, um livro e saborear cada parágrafo.
A a sua companhia precisa deixar de ser um lugar de desconforto, lembra da frase:
– Antes só do que mal acompanhado.
Antes de querer alguém que cuide de você,
é essencial que você aprenda a se cuidar.
Antes de desejar alguém que te entenda,
é fundamental que você comece a se escutar. Por fim, antes de implorar respeito do outro, ofereça a si mesmo toda a importância que você merece.
Relacionamentos não são amuletos, muito menos analgésicos.Eles não curam vazios que a gente evita olhar.Quando você entra em um relacionamento tentando se salvar,
sem perceber, você se perde de novo.
O medo de não saber cuidar de você, incentiva você aceitar sacrifícios e martírios.
Agora, quando você entra estando em paz com quem você é, sem dúvida a história muda.
Você não busca alguém para preencher.
Você escolhe alguém para somar.
E isso é completamente diferente.
Se permita esse tempo.
Se permita esse encontro.
Porque no final, não é sobre aprender a ficar sozinho —é sobre descobrir que, na sua própria companhia você pode estar bem. E daí, quando você entende isso, você vai querer estar com alguém quando estiver pleno, feliz e em paz, mas jamais Necessitar de um relacionamento amoroso, pois todo necessitado está preso ao medo, escassez e sacrificio em nome do “amor”.
Marcos Bersam
Psicólogo
