Onde tem uma criança com dificuldade de aprendizagem, também há uma família aflita, no consultório e nas consultas como Psicólogo, seja na modalidade Online ou presencial, sei como os pais ficam preocupados, principalmente as mães.

Tem criança que se esforça, tenta, insiste, e mesmo assim parece não acompanhar o ritmo da sala. Erra palavras simples, troca letras, trava na leitura, fala “errado” e começa a ser corrigida o tempo todo.

Com o tempo, o que era dificuldade vira vergonha. E a vergonha vira silêncio.
É nesse ponto que muita gente ainda comete um erro: achar que é preguiça, desatenção ou falta de interesse. Na prática, pode ser algo muito diferente disso — como dislexia, dislalia ou outras dificuldades de aprendizagem.

Dislexia: quando ler não é automático
A dislexia não tem a ver com inteligência. Muitas vezes, inclusive, a criança é curiosa, criativa, cheia de ideias. Mas quando precisa ler ou escrever, parece que algo não encaixa.
As palavras embaralham, a leitura fica lenta, o cansaço aparece rápido. Não é falta de treino. É o cérebro funcionando de um jeito diferente, que exige outro tipo de caminho para aprender.

E o problema não é só escolar. Aos poucos, a criança começa a evitar leitura, se sente“menos capaz” e pode até se afastar de situações em que precise se expor.

Dislalia: Quando falar também é difícil
A dislalia aparece na fala. São aquelas trocas de sons, palavras ditas de forma “errada”, frases difíceis de entender. Muita gente acha “bonitinho” no começo, mas quando isso persiste, pode virar um peso.

A criança percebe que fala diferente. Pode ser corrigida o tempo todo, interrompida ou até alvo de brincadeiras. Isso mexe direto com a confiança.

E aqui tem um ponto importante: comunicação não é só falar certo. É se sentir seguro para se expressar. Quando isso falha, o impacto vai além da fala.

Dificuldades de aprendizagem: 
Nem toda dificuldade significa um transtorno. Às vezes, é método de ensino, fase emocional, adaptação escolar. Mas quando o problema persiste, mesmo com apoio, algo precisa ser olhado com mais cuidado.

Alguns sinais que merecem atenção:
esforço alto com pouco resultado,frustração frequente ao estudar,resistência ou fuga de atividades escolares,sensação constante de “não conseguir”.

A criança não precisa sofrer para aprender. Quando aprender vira sofrimento, isso já é um sinal importante.

O que realmente ajuda
Antes de qualquer rótulo, vem a escuta. Entender o que está acontecendo sem julgamento muda tudo.

O acompanhamento com profissionais — como psicólogo, fonoaudiólogo ou psicopedagogo — não é sobre “consertar” a criança, mas sobre encontrar caminhos que funcionem para ela.

E dentro de casa e da escola, o que mais faz diferença é algo simples, mas raro: paciência de verdade. Sem pressão exagerada, sem comparação, sem transformar erro em culpa.

Crianças com dislexia, dislalia ou dificuldades de aprendizagem não precisam de mais cobrança. Elas já se cobram o suficiente.

O que elas precisam é de alguém que enxergue além do erro. Que entenda que ali não tem falta de esforço — tem um pedido de ajuda, mesmo que silencioso.
E quando esse olhar muda, tudo começa a mudar junto. Por fim, como Psicólogo sempre considero orientar os pais, lidar também com a ansiedade deles, pois um entorno de confiança e equilíbrio, com certeza, auxilia muito o acompanhamento da criança.

Marcos Bersam

Psicólogo

 

 

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