Do mesmo modo que faço na minha clínica. Então, vou tentar ser breve sem perder a objetividade, pois você não quer apenas entender sua situação, certo? Imagino que você queira resultados efetivos e duradouros.

Indo direto ao ponto, sem enrolação,  até quando você vai continuar se enganando?

Tem gente que não sofre por falta de amor.
Sofre por aceitar presença pela metade, contar com a presença de quem parece um fantasma, imaginar estabilidade com quem sempre foi indeciso e confuso.

Atualmente, você tem sofrido  por permanecer em relações onde precisa adivinhar o lugar que ocupa. Onde um dia é prioridade, no outro é descaso. Onde recebe palavras bonitas, através de atitudes inconsistentes.

E isso confunde — porque não é ausência total. É quase, isto é, quase carinho, quase escolha, quase compromisso.

Não basta te amar, torna-se se urgente como te amam, não basta palavras bonitas, você quer atitude.

E o “quase” vicia, pois alimenta esperança. Porque, de vez em quando, a pessoa aparece do jeito que você queria o tempo todo. E nesses momentos, você pensa: “é isso, agora vai”. Mas não vai. Volta tudo de novo: a dúvida, a espera, a insegurança.
E, aos poucos, você deixa de perceber o quanto isso está te desgastando.

Vai normalizando o que, lá no fundo, você sabe que não é suficiente.Na prática clínica, o que mais aparece não é falta de sentimento — é falta de consistência.

Gente que ama, mas não sustenta.
Gente que quer, mas não escolhe. Aquela pessoa que não quer te perder, mas também não quer assumir você.

Essa postura adoece, enlouquece,. enfraquece e tira sua dignidade.

E enquanto o outro vive nessa ambivalência, quem fica, a contragosto , vai se adaptando, diminuindo expectativas, encolhendo sonhos, se apequenando, se martirizando para caber na indecisão de um adulto que não abandona o parquinho.

Daí você fica na fila da migalha, sonhando com o dia do banquete, aceitando menos do que merece — só para não perder completamente, a ilusão de uma migalha maior chegar até seu estomago, melhor, na sua alma

Mas tem um ponto em que isso deixa de ser sobre o outro. E Passa a ser sobre você se abandonar para manter alguém por perto.
E é aqui que começa a mudança de verdade.

Quem não te escolhe, prioriza, elege e tem atitudes imaturas não serve para você, sem atitude o amor do outro não te convence, nem te oferece a certeza e a claridade do sentimento do outro.

Nao espere o outro pensar se vai segurar sua mão e seguir adiante, o amor não precisa ser empurrado ladeira acima, não precisa de explicações e exigências. Por fim, você sabe o que precisa ser feito.

 

Marcos Bersam

Psicólogo

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