Como Psicólogo seja nas consultas ONLINE, seja nas perguntas que recebo através do meu canal no YouTube, ou até mesmo nas consultas psicológicas presencial pude perceber algo estarrecedor, ou seja , ao longo de décadas ouvindo histórias, uma coisa se repete com uma precisão quase dolorosa: nem toda mãe que diz amar permite que o filho exista.
Na teoria, o papel de uma mãe é claro — sustentar, proteger e, aos poucos, deixar ir. Uma mãe suficientemente saudável entende que o filho não é uma extensão dela, mas alguém que precisa se tornar alguém no mundo. Isso inclui frustrar, permitir escolhas próprias, aceitar discordâncias e, principalmente, tolerar a distância emocional que o crescimento exige.
Já na dinâmica de uma mãe com traços narcísicos, esse movimento natural é interrompido.
Ela não cria um filho — ela cria um vínculo de dependência.
Existe uma inversão silenciosa que acontece em famílias com mães narcisistas: o filho deixa de ser cuidado e passa a cuidar.
Não de forma prática, necessariamente — mas emocionalmente.
Ele se torna responsável pelo humor dela, pela solidão dela, pelo sofrimento dela. Aprende, desde cedo, a se ajustar, a não decepcionar, a evitar conflitos. Não porque quer — mas porque o preço emocional é alto demais.
Na psicanálise, falamos de uma dificuldade profunda em reconhecer o outro como sujeito. O filho não é visto como alguém separado, mas como um espelho, uma fonte de validação, ou até um suporte emocional. E é aí que começa o aprisionamento invisível.
Essa mãe pode dizer: “Eu fiz tudo por você.”
“Eu me anulei por você.”
“Depois de tudo que eu passei, é assim que você me paga?”
Perceba: não é apenas uma frase. É um mecanismo de controle.
O filho cresce com uma sensação constante de dívida. Não uma dívida concreta, mas emocional — impossível de pagar. Porque não importa o quanto ele faça, nunca será suficiente. Sempre haverá um novo sacrifício a ser lembrado, uma nova culpa a ser ativada.
E então algo muito sutil acontece:
o filho começa a confundir amor com culpa.
Ele não escolhe estar — ele sente que deve estar.
Isso compromete decisões, relacionamentos, carreira, identidade. Qualquer movimento de autonomia é vivido com angústia, como se estivesse traindo alguém. Porque, em algum nível, foi ensinado que crescer é abandonar.
Ele como filho não tem como ser feliz por si mesmo, imagina ter uma família, uma esposa?
- Por fim, o maior desafio de uma mãe Narcisista é entender que o sucesso de uma mãe, é torna-se desnecessária, não menos importante. Dessa forma permitir o filho querer estar próximo por escolha, jamais por culpa e controle.
Marcos Bersam
Psicólogo
