Muitas pessoas tentam dormir, mas não conseguem. Ou seja, aquilo que deveria ser uma tarefa fácil parece um desafio olímpico. A pessoa rola na cama, olha para o teto, briga com seus pensamentos, fica ensaiando como resolver aquele problema que ela levou para cama. Qual resultado disso? Levanta esgotada, irritada; sem a energia necessária para deixar a rotina do dia seguinte fluir.

Como Psicólogo veja cada vez mais pessoa agitadas e inquieta na cama, em contrapartida exausta e cansada durante o trabalho.

A pessoa tenta pegar a própria sombra, como se corresse atrás do próprio rabo.

A busca por qualidade de vida, a exigência por resultados, muitas vezes, nos leva para fora: mais produtividade, mais conquistas, mais controle.

No entanto, existe um caminho silencioso e profundamente eficaz que aponta na direção oposta — para dentro.

É nesse espaço interno que a atenção plena, ou mindfulness, se torna uma ferramenta poderosa para acalmar a mente e viver melhor.

Mindfulness, conceito difundido por Jon Kabat-Zinn, pode ser entendido como a capacidade de estar presente no momento, com consciência e sem julgamento. Parece simples — e de certa forma é —, mas na prática, exige um treino: o de sair do automático e voltar para o agora.

Grande parte do nosso cansaço mental não vem apenas do que vivemos, mas de como pensamos sobre o que vivemos. A mente acelera, antecipa problemas, revive situações, cria cenários que nem sempre existem. Esse fluxo constante é um dos principais responsáveis pelo estresse, pela ansiedade e pela sensação de sobrecarga.

É por isso que a atenção plena não é apenas uma prática meditativa — ela é uma estratégia real de cuidado com a saúde mental e emocional. Ao desenvolver essa habilidade, você aprende a interromper esse ciclo de pensamentos acelerados e a criar pausas internas. E são nessas pausas que a mente começa, naturalmente, a desacelerar.

Diversos estudos mostram que a prática regular de mindfulness pode ajudar na redução de sintomas de ansiedade, estresse e até condições como a Depressão. Mas, mais do que isso, ela melhora a qualidade da sua experiência diária: você passa a viver com mais presença, mais clareza e menos reatividade.

Acalmar a mente não significa eliminar pensamentos, mas mudar a relação com eles. Em vez de se perder em cada preocupação, você aprende a observar. Em vez de reagir impulsivamente, você ganha um pequeno espaço entre o estímulo e a resposta — e é nesse espaço que mora a liberdade emocional.

E o mais importante: isso não exige grandes mudanças na rotina. A atenção plena pode ser incorporada em momentos simples do dia:

Sempre sugiro que a pessoa não precisa ficar numa posição de lótus, acampar numa montanha, viajar para o Tibet, basta apenas regressar aquilo que é elementar, por exemplo, respirar com consciência por alguns minutos, prestando atenção no ar que entra e sai, mentalizar o pulsar do seu coração, tomar consciencia do movimento do diafragma. Tal como fazer uma pausa antes de responder algo importante, o famoso contar até 10.
Comer sem distrações, entenda aqui desligue os eletrônicos, apague as telas, realmente sentindo o momento.

Dessa forma , você volta a perceber o corpo, as tensões, o ritmo da própria respiração ao longo do dia.Esses pequenos hábitos funcionam como âncoras. Eles trazem você de volta quando a mente começa a se perder no excesso.Qualidade de vida não é apenas sobre o que você faz, mas sobre como você vive o que faz. E, nesse sentido, a atenção plena oferece algo que muitas pessoas estão buscando sem perceber: um estado de presença que acalma, organiza e reconecta.

No fim, cuidar da mente não é sobre silenciar o mundo, mas sobre aprender a não se perder dentro dele, qualidade de vida não é sinônimo de ausência de doença, bem como o verdadeiro plano de saúde não é vendido na operadora do plano, pois muitas vezes esse costuma ser o plano para a doença. A qualidade de vida, começa numa mente equilibrada, pacíficada e alicerçada na paz interior.

Marcos Bersam

Psicólogo Online

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