O que você vai ser quando crescer?
Chega um momento da vida que essa pergunta ganha robustez, como se você ainda não fosse alguém, certo?
A profissão costuma ser um dos passaportes para entrar no mundo adulto, mas muitas vezes esse adulto ainda está acanhado e tímido dentro daquele corpo e mente adolescente.
O primeiro beijo, primeiro amor, fantasias, sonhos e desejos inusitados, hormônios gritando dentro daquele corpo que se transforma e muda numa velocidade assombrosa, junto com tudo isso a urgência de decidir algo grande: A escolha profissional.
Como Psicólogo, nesses 30 anos de atuação, percebi de perto como é importante realizar essa escolha sem tanto ruído externo, tantas comparações e idealizações alimentadas num período já bastante conturbado para algumas famílias e adolescentes.
De modo geral, os jovens são sorteados assim: Gosto de matemática deveria seguir para engenharia e área de exatas, se minha preferência for biologia escolherei ser médico. Será suficiente esse raciocínio?
Tentativa de agradar os pais, medo de contrariar expectativas, imaturidade, expectativas longe da realidade, junto com toda a dinâmica própria da adolescência.
Escolher uma profissão nunca foi uma decisão simples — e, para o adolescente, pode ser ainda mais confuso. Existe uma pressão silenciosa vindo de todos os lados: família, escola, redes sociais, e, no meio disso tudo, um jovem que muitas vezes nem teve tempo de se conhecer de verdade.
Atualmente, com a inteligência artificial, por certo, algumas profissões serão extintas, outras nascerão, no entanto, uma certeza fica.
A profissão do futuro não terá nada a ver de como os pais escolheram suas profissões, um mundo acelerado, com mudanças velozes, com desafios cada vez mais singulares.
É nesse ponto que a orientação vocacional deixa de ser um “luxo” e passa a ser quase uma necessidade emocional. Toda escolha traz também uma renuncia, como Psicologo percebo quase sempre que primeiro vem a certeza do que não ser ou seguir. Entretanto, isso não é suficiente, algumas perguntas frequentes:
– Vou encontrar emprego?
– Serei bem remunerado?
– O mercado está aquecido para essa a profissão?
– Minha família vai apoiar minha escolha?
Como psicólogo, eu vejo de perto o quanto essa fase pode gerar ansiedade, insegurança e até sensação de fracasso antecipado.
Muitos adolescentes acreditam que precisam “acertar de primeira”, como se a escolha profissional fosse definitiva — e isso não só não é verdade, como também é injusto com quem ainda está construindo a própria identidade, alguns ainda carregam a culpa de contrariar as expectativas parentais.
A orientação vocacional não é sobre dizer ao adolescente qual profissão escolher. É sobre ajudar ele a entender quem ele é.
Ou seja, para escolher uma profissão, também preciso entender minhas emoções, meus valores, meu lugar no mundo, elaborar medos, cobranças e expectativas.
Durante uma consulta psicológica, o processo vai muito além de testes ou listas de interesses. Envolve escuta, acolhimento e reflexão. A gente investiga habilidades, valores, expectativas e até medos. Porque, muitas vezes, a dúvida profissional não vem da falta de opção — vem do excesso de cobrança ou do medo de decepcionar alguém.
Seja com um psicólogo online ou com um psicólogo presencial, o importante é que o adolescente tenha um espaço seguro para pensar sobre o próprio futuro sem julgamento. Esse espaço faz toda a diferença.
Quando o jovem começa a se compreender melhor, a escolha profissional deixa de ser um peso e passa a ser uma construção mais consciente.
Outro ponto importante: orientação vocacional também previne escolhas impulsivas. Quantas pessoas entram em cursos por influência externa e depois se sentem perdidas, frustradas ou desmotivadas? Trabalhar isso desde cedo evita não só mudanças de rota mais dolorosas, mas também impactos na autoestima.
Para quem está buscando um psicólogo em Juiz de Fora, por exemplo, esse tipo de acompanhamento pode ser um divisor de águas. Não apenas para definir uma carreira, mas para desenvolver maturidade emocional, autonomia e segurança nas próprias decisões.
Eu percebo na minha atuação profissional que não basta “boa intenção” do adulto para ajudar, pois muitas vezes esses conselhos e dicas vem contaminados de frustrações internas, sonhos interrompidos, junto com uma época que já não existe mais.
No fim das contas, escolher uma profissão não é só decidir “o que fazer da vida”. É começar a responder uma pergunta muito mais profunda:
“Quem eu estou me tornando?”.
E ninguém deveria precisar enfrentar essa pergunta sozinho, ser escutado, acolhido e permitir dar uma pausa para essa escolha permitir liberdade e realização pessoal,.jamais que sejam correntes que aprisione o jovem ao sonho não realizado do outro.
Marcos Bersam
Psicólogo
