Muitas vezes, para não dizer toda semana alguém marca uma consulta comigo na modalidade Online ou presencial, quase sempre, por ter visto um vídeo meu YouTube sobre relacionamento, autoestima, autoconhecimento ou desenvolvimento pessoal.

A narrativa inicial de , quase todos, finais de relacionamentos é que o fim não é percebido na mesma época pelos dois, ou seja, um quer mais uma tentativa, porém o outro já tem a certeza de que não tem mais jeito.

Aquele que não quer o fim do Relacionamento, as vezes, se sente injustiçado e acaba nutrindo um desejo de “vingança”. Ou seja, frases como:

– Tomara que se arrependa de ter terminado comigo

– Dúvido que vai encontrar alguém como eu.

– Vai se dar mal, se arrepender e vai querer voltar para mim.

Ah, Marcos! Você está exagerando!

Definitivamente, não. No mundo ideal, as pessoas seriam adultas, maduras e bem resolvidas, ou seja, cada um seguiria sua vida e ficaria na torcida pelo sucesso do outro. Entretanto, na vida real as coisas não são bem assim.

A situação agrava, ainda mais, quando a pessoa saiu de um relacionamento abusivo.

Depois de mentiras, traições, decepções a pessoa sai muito mal, ferido, tentando entender onde começou a mentira e em que momento passou a aceitar menos do que merecia. Quando há traição, manipulação e promessas quebradas, a mente fica presa numa busca por sentido. E é aí que muita gente se perde: começa a acompanhar cada passo do outro, a stalquear redes sociais, esperando encontrar algum tipo de justiça, algum sinal de que “a conta chegou”.

A máxima que falo: Rejeição causa obsessão, ainda mais quando é um padrão familiar , conhecido, muitas vezes, da infância.

Mas isso tem um custo alto.
Do ponto de vista da psicologia, esse comportamento mantém o vínculo ativo. É o que nós, os psicólogos, chamamos de reforço intermitente: pequenos estímulos (uma foto, uma postagem, uma informação) reacendem a dor e mantêm o cérebro preso à história. Em vez de cicatrizar, a ferida é reaberta todos os dias.

A pessoa acredita que está buscando respostas, mas, na prática, está prolongando o sofrimento. A pessoa não quer entender, ela quer lidar com a ideia da culpa.

– Será que fiz o suficiente

– Será que ele(a) conseguirá ser feliz com outra pessoa.

Enquanto você olha para a vida de quem te feriu, você se afasta da sua própria vida. O foco sai do seu crescimento, das suas oportunidades, das pessoas que poderiam somar — e vai para alguém que já provou não ser capaz de oferecer o que você precisa.

Aos poucos, isso gera um tipo de cegueira emocional: você deixa de perceber caminhos novos porque está emocionalmente ancorado no passado.

Existe também a expectativa de justiça. A ideia de que, em algum momento, o outro vai se dar mal, vai sofrer, vai “pagar” pelo que fez. E então você vigia, acompanha, espera. Só que a vida não segue o tempo da nossa dor. E enquanto essa resposta não vem — ou não vem da forma que você imaginou —, quem continua pagando o preço é você.

A vida não poupa os “bonzinhos”, nem preserva os bem intencionados.

A verdade, ainda que difícil de aceitar, é que a maior vingança não tem a ver com o outro. Tem a ver com você.

Indiferença não é frieza, é cura. É quando a história deixa de ter peso. É quando você não precisa mais saber, não precisa mais olhar, não precisa mais comparar. É quando a pessoa perde o poder de ocupar espaço na sua mente.

Seguir a vida não é esquecer o que aconteceu, mas ressignificar. É entender que aquilo não te define e que ainda existe futuro, possibilidade e recomeço. Sempre existe. A psicologia mostra que o rompimento de vínculos tóxicos exige distância emocional e comportamental. Parar de acompanhar a vida do outro é um passo essencial para recuperar autonomia, autoestima e clareza.

Se você quer, de fato, se libertar — e até “vingar” de tudo o que te fizeram —, comece escolhendo a si mesmo todos os dias. Invista na sua vida, na sua saúde emocional, nos seus projetos. O que você alimenta cresce. E quanto menos você alimenta o passado, mais espaço cria para o novo.

Você não precisa assistir a queda de ninguém para se reerguer. Às vezes, vencer é simplesmente ir embora — e nunca mais olhar para trás. Afinal, todo relacionamento que você falar que deu “errado” foi porque você não aprendeu nada, enquanto você não assimilar a lição outros bateram a sua porta com o sobrenome de um amor : tóxico, impossível ou enfermiço.

Seja feliz, mas antes seja a mudança que você sempre esperou do outro.

 

Marcos Bersam

Psicólogo Online e Presencial em Juiz de Fora.

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