Como Psicólogo Online ou presencial, a pessoa quando me procura sempre tem algum relacionamento a ser melhorado, seja com a comida, o dinheiro, trabalho, filhos e, claro, com o amor da sua vida.
E o desafio aumenta, quando alguém decidiu interromper o relacionamento, ou seja, quem fica quase sempre fica confuso, sem chão e desamparado.Definitivamente, raramente um fim de relacionamento é aceito do mesmo modo pelo casal, assim sempre há um lado mais decidido, bem como outro desejando uma segunda chance. E nesse impasse, a ansiedade costuma visitar o lado que seja permanecer no relacionamento.
Terminar um relacionamento nunca é só um detalhe, desistir de uma relação implica também abrir mão de expectativas, sonhos, projetos e rotinas. Ou seja, não é como desligar uma luz e pronto, apertar um botão, trocar um chip. Costumo dizer que parece o mesmo que sair de um lugar onde você passou muito tempo: mesmo depois de ir embora, alguma parte sua ainda fica ali, meio perdida, tentando entender o que aconteceu.
O mais difícil de superar não é só a pessoa em si — é tudo o que vinha junto com ela. A rotina, as mensagens, os planos que pareciam certos, as piadas internas, amigos em comum.
Tem também a questão da expectativa. A gente não sofre apenas pelo que viveu, mas pelo que imaginou viver. Aquela viagem que nunca aconteceu, o futuro que você já tinha desenhado na cabeça, as pequenas certezas que, de repente, não são mais certezas. É como perder algo que nem chegou a existir de fato, mas que parecia muito real.
E aí vem o vazio. Não só o vazio de não ter mais aquela pessoa, mas de não saber exatamente o que fazer com o espaço que ela ocupava. O cérebro insiste em voltar, em lembrar só das partes boas, como se estivesse tentando negociar uma volta impossível. E isso confunde, porque faz parecer que você ainda precisa daquilo, mesmo quando sabe que não dava mais certo.
Algumas vezes você precisar terminar um relacionamento gostando, tal como acontece com um vício; mesmo prazeroso e contrariando sua vontade , em muitos casos, você precisa agir contra sua vontade. Tal nos relacionamentos tóxicos, insalubres e enfermiços.
Tenho que dizer que superar é difícil porque não é um processo linear. Tem dias em que parece que passou, e outros em que tudo volta com a mesma intensidade. Não existe um botão de “seguir em frente”, existe um monte de pequenos passos: aceitar, sentir, se afastar, recair em pensamento, e tentar de novo.
Mas, aos poucos, a ausência deixa de ser um buraco e vira só uma lembrança. Ainda existe, mas não machuca do mesmo jeito. E quando isso acontece, você percebe que não era sobre esquecer — era sobre aprender a viver sem aquilo que um dia pareceu indispensável.
Por fim, talvez você sempre soube, desde o início , que já tinha acabado muito antes, talvez você tenha dificuldade de superar, pois para isso precisaria admitir que tudo que começou mal, com certeza, não teria vida longa.
Marcos Bersam
Psicólogo
