No consultório sempre escuto o seguinte:
– Ele(a) não quer separar de mim, mas também não me assume.
Deste modo, quem não quer perder você não é sinônimo de querer você, entende? É meio confuso mesmo, mas sigamos.
Antes de qualquer recomeço, existe uma tarefa silenciosa e difícil: encerrar ciclos. Muita gente tenta seguir em frente sem fechar o que ficou aberto — e é aí que a vida começa a travar.
Não é falta de esforço, nem de capacidade. É acúmulo de histórias mal resolvidas ocupando espaço emocional.Em muitos relacionamentos, você vai percebendo, aos poucos, que está vivendo em função do querer do outro. Você se adapta, espera, compreende, tolera, e, sem perceber, vai se deixando de lado.
Já falei aqui, aquilo que você tolera também autoriza.O outro não quer te perder, mas também não te assume. Sendo assim, te aprisiona , isto é, se mantém por perto, mas não te escolhe de verdade. E essa ambiguidade vai desgastando, confundindo, machucando.
Você mora na lua, mas alcanzar o brejo.
Existe um tipo de dor muito específico nisso: a dor de quem não pode viver plenamente o vínculo, mas também não consegue se libertar dele. É como ficar preso numa porta entreaberta — nem dentro, nem fora.
Chega um momento em que reagir já não é suficiente. Reagir é responder ao que o outro faz. Agir é se posicionar diante do que você sente. E esse é um ponto de virada importante: quando você entende que não pode mais terceirizar suas decisões emocionais.
Sempre falo nas minhas consultas como Psicólogo, seja na modalidade online ou presencial. Você precisa agir, mesmo sem estar pronta, em meio às incertezas, você precisa tomar uma atitude. De certa forma, quase sempre, a pessoa perdeu muito tempo tentando entender, isso gera uma certa sensação de impotência e ineficácia.
Finalizar um ciclo não é sobre deixar de sentir. É sobre parar de se ferir insistindo no que não se sustenta. É escolher, com maturidade e dor mesmo, sair de um lugar onde você não é reconhecido por inteiro.
Preservar a sua dignidade e a sua saúde mental, especialmente no fim de um relacionamento mal resolvido, exige coragem.
Desta feita, torna-se urgente lidar com as expectativas insanas e irreais, logo abrir mão da esperança de que o outro mude.
Sempre falo nos meus atendimentos psicológicos, em relacionamentos impossíveis agrava o estado de ansiedade.
Nunca é demais frisar que , às vezes, o amor não vem acompanhado de respeito, de clareza ou de compromisso.
Encerrar ciclos não é fracasso. É um gesto profundo de responsabilidade consigo mesmo, um gesto de autocuidado.
E, por mais difícil que pareça agora, é justamente esse fechamento que permite que algo novo — e mais saudável — possa, finalmente, começar.
Marcos Bersam
Psicólogo
