Quando formei em psicologia, em 1994, a pretensão de um psicólogo naquela época era ser conhecido nas páginas amarelas, um catálogo de papel, que todos anunciavam. : Ou seja, desde um eletricista em início de carreira até a melhor clínica de neurologia da região.

E hoje? É possível ser psicólogo em Minas, mas atender uma pessoa no continente asiático, depois , num intervalo de um clique, iniciar outra consulta Online no interior de São Paulo.

Profissões mudaram, anúncios foram reinventados, demandas foram criadas.

Hoje, tudo mudou, casamentos, cirurgias , terapias, consultas Online, cursos, faculdades. Enfim, tudo mudou de forma tão rápida, mas algo permanece do mesmo jeito:

O desejo de pertencimento.

E a saúde mental?

A gente costuma pensar que estar conectado o tempo todo nos aproxima das pessoas. Mas, na prática, muitos pacientes chegam ao consultório relatando exatamente o contrário: uma sensação constante de inadequação, ansiedade e um cansaço emocional difícil de explicar.

A internet — especialmente as redes sociais — criou um ambiente onde a comparação é praticamente inevitável. Em poucos minutos, você vê alguém viajando, outro conquistando algo importante, outro feliz em um relacionamento aparentemente perfeito. O problema não é ver a vida do outro. O problema é começar, sem perceber, a medir o seu valor a partir disso. Tudo vira espetáculo, sobram filtros, aplicativos para edição, recursos de câmeras para deixar a realidade bem próxima da “perfeição”, mas o conflito, o caos, a insegurança, a traição e rejeição não são publicadas

E é aí que a autoestima vai sendo afetada de forma silenciosa.Muita gente não percebe, mas passa a se cobrar mais, a se sentir atrasada na vida, insuficiente ou até fracassada. Você sente que mora mal, que estudou pouco, que precisa emagrecer mais, que viajou menos do que gostaria.

A culpa sussura no seu ouvido:

– Você fez pouco.

– Você não fez as escolhas certas.

Mesmo quando nada de fato está errado. É uma comparação injusta: você se compara com o recorte editado da vida dos outros, enquanto vive a sua realidade completa — com dúvidas, inseguranças e dias difíceis.

Outro ponto que aparece muito é a ansiedade digital. Aquela sensação de precisar responder rápido, de não poder “sumir”, de estar sempre disponível. Como se descansar fosse quase um erro. Isso vai criando um estado de alerta constante no corpo, uma inquietação que não desliga.

E, aos poucos, a pessoa perde algo muito importante: o contato consigo mesma.
Quando a validação começa a vir mais de fora — curtidas, visualizações, respostas — do que de dentro, a identidade fica mais frágil. A pessoa começa a se perguntar:

“Será que eu sou interessante mesmo ou só quando os outros mostram que sou?”

O medo de não ter seguidores. O receio de não obter seguidores, A ansiedade de receber pouco likes. Quando no fundo, isso tudo reflete o medo básico do ser humano:

– Não ser amado.

Não existe nada de errado em usar a internet. Ela faz parte da vida hoje. O problema é quando ela começa a ocupar um espaço que deveria ser seu — o espaço de se escutar, de se respeitar, de viver no seu próprio ritmo.

Talvez a pergunta mais importante não seja “quanto tempo você passa online”, mas sim:
como você se sente depois que sai dali?

Se a resposta for cansaço, comparação ou ansiedade, isso já é um sinal de que algo precisa ser olhado com mais cuidado.
Cuidar da saúde mental, nesse contexto, não é se afastar completamente do mundo digital. É aprender a criar limites, desenvolver consciência e, principalmente, fortalecer a relação que você tem com você mesmo.

Porque, no fim das contas, nenhuma validação externa sustenta aquilo que não está minimamente construído por dentro.

Por fim, eu como Psicólogo Online e presencial, falo o seguinte:

– A Grama do vizinho sempre parece mais verde que a sua, certo? No entanto, quando você chega perto, percebe que a grama do vizinho é artificial, sintética, ou seja, irreal. E você tem uma vida real, com todas as limitações, imperfeições da realidade.

 

Marcos Bersam

Psicólogo Online

 

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